"Desfrute da viagem da vida. Você só tem uma oportunidade, tire dela o maior proveito."

domingo, 25 de setembro de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sanatório Geral


“A hora de votar o retorno do Delúbio é agora porque em 2012 haverá eleições e essa questão provocará mais polêmica. Sabemos que o assunto ainda é mal compreendido pela sociedade”.

Marta Suplicy, vice-presidente do Senado, ao defender a volta ao PT de Delúbio Soares, mostrando que está ansiosa por festejar a virada do ano com o companheiro gatuno, como costumava fazer antes que o tesoureiro do mensalão se transformasse em caso de polícia.

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Privatização meia-sola


Com receio de perder o discurso não-privatista, com o qual Lula demonizou Alckmin em 2006, o governo fará uma privatização meia-sola em três aeroportos: Viracopos, Guarulhos e Brasília. Por que meia-sola? Porque a concessão à iniciativa privada valerá apenas para obras, e não à exploração dos aeroportos. Esta continuará nas mãos ineficientes (e dispendiosas) do Estado. O colapso do setor aéreo não será resolvido só com tapumes. Está na hora de abrir mão do discurso e colocar o Brasil para andar. Meia-sola, todos sabem, tem vida útil curta.

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Conselho de ‘Ética’: aliado de Sarney vira presidente

Agência Senado - Por Geraldo Magela

Como previsto, instalou-se nesta quarta (27) o Conselho de “Ética” do Senado. Na sessão inaugural, elegeram-se o presidente e o vice-presidente do colegiado.

Escorado em acordo firmado na véspera, foi à presidência João Alberto (PMDB-MA). Ele mantém com José Sarney (PMDB-AP) uma relação do tipo unha e cutícula.

Para a cadeia de vice, previa o acordo, iria o senador Gim Argello (PTB-DF). Na última hora, Gim roeu a corda. Multiprocessado, preferiu fugir da vitrine.

Substituiu-o Jayme Campos (DEM-MP), que “só” responde a dois processos no STF. João Alberto, o liderado de José Sarney, prometeu, veja você, “equilíbrio”:

“Presidir o Conselho é cortar na nossa própria carne. Nos momentos mais difíceis, temos que julgar nossos colegas...”

“...Mas, com muito equilíbrio e colaboração de todos os senadores, faremos aqui o melhor para o Senado e para o Brasil”.

O novo mandachuva recebeu afetuosos cumprimentos. Abraçou-o Renan Calheiros.

Renan (PMDB-LA) é um dos que zelarão para que o conselho faça “o melhor para o Senado e para o Brasil”.

Quem procura ética no Senado teve a busca simplificada. Já não é necessário procurar no Conselho de Ética.

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terça-feira, 26 de abril de 2011

Rearranjo

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admite fusão do DEM com PSDB

Plantão 'O Globo' - Por Tatiana Farah
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SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, nesta terça-feira, em seminário no instituto que leve seu nome, que há entendimentos sobre a fusão do PSDB com o DEM. Porém, ele afirmou que as conversas ainda são preliminares. FH também criticou a postura dos tucanos que, segundo ele, não souberam conviver com as várias tendências do partido. A saída de Walter Feldman, um dos fundadores do PSDB, para o PSD, foi motivo de pesar para o ex-presidente.

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"Existem propostas nesse sentido. São aspectos delicados. Acho que o mais importante é manter a coesão dos partidos e, desde logo, dizer: aconteça o que acontecer, vamos nos manter unidos com certos objetivos maiores"
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._ Existem propostas nesse sentido. São aspectos delicados. Acho que o mais importante é manter a coesão dos partidos e, desde logo, dizer: aconteça o que acontecer, vamos nos manter unidos com certos objetivos maiores. Não sei qual a tendência, se vai haver fusão ou não.

Ele aproveitou para dar um puxão de orelhas no PSDB pela debandada tucana para o PSD, novo partido do prefeito Gilberto Kassab. Para o ex-presidente, "ninguém pode pregar a democracia, que implica pluralidade, se não a pratica". Fernando Henrique lamentou a saída do ex-deputado Walter Feldman, oitavo paulista a deixar a legenda em uma semana, e disse fazer um "apelo à unidade".

_ Acho lamentável a saída de qualquer pessoa, sobretudo de uma pessoa importante. É o momento de fazermos um esforço pela coesão. Faço até mesmo um apelo: não é o momento de ampliar divisões. Se quisermos ter um objetivo maior, como tem os venezuelanos hoje, que é de voltar a ter uma situação de que o PSDB exerça um papel construtivo no Brasil, na República, nós temos de estar unidos_ disse o ex-presidente à imprensa, durante um seminário com analistas e a oposição jovem ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC).

O ex-presidente tucano considerou anormal a ruptura das lideranças no partido.

_ Esse esforço (de coesão) implica que as várias tendências do partido entendam que tendências são normais, que opções por pessoas são normais. O que não é normal é ruptura, em função seja de personalismo, seja da falta de aceitação da diversidade. Ninguém pode pregar a democracia, que implica pluralidade, se não a pratica. Temos de ter pluralidade interna, expressão da nossa divergência, mas também uma coesão. Deixo um apelo pela unidade.

Enquanto apresentava um grupo de três jovens de oposição venezuelana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso brincou com a polêmica causada por seu último artigo, no qual defendeu que o PSDB tenha foco na classe média como eleitorado. Fernando Henrique elogiou a juventude dos militantes e falou que, mais velho, tem ficado a cada dia mais cauteloso.

_ Passei a ser cautelosíssimo_ disse Fernando Henrique, comentando que o artigo foi pedido pelo ex-embaixador Rubens Barbosa:_ Pensei que ninguém fosse ler.

Ainda durante o evento no IFHC, o ex-presidente disse esperar que o governo Dilma tenha "sensibilidade" para associar a crítica ao regime de Chávez e os interesses dos dois países.

_ Dá a impressão de que, no que diz respeito aos direitos humanos, ela (Dilma) tem sido mais conseqüente em protestar. O Brasil tem interesses comuns com a Venezuela e nós não podemos de repente ter uma atitude que possa ser compreendida como contrária à Venezuela. Então, como distinguir a defesa dos direitos humanos com a participação da Venezuela na América Latina, no Mercosul, de acordo com os nossos interesses? Espero que o governo, sobretudo com o novo chanceler, tenha sensibilidade suficiente para ao mesmo tempo atender aos interesses do Brasil e da Venezuela.

Ainda nesta terça, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente nacional do DEM, José Agripino Maia (RN), acertaram o novo espaço do DEM no governo paulista. O partido comandará a Secretaria de Desenvolvimento Social, hoje encabeçada por um deputado estadual do PSDB. A negociação é um gesto importante num momento em que os dois partidos discutem uma fusão no futuro.

A possível saída do governador democrata de Santa Catarina, Raimundo Colombo, pode acelerar de vez a implosão do DEM. Com ele, sairiam inúmeros políticos catarinenses e o único governo estadual do partido seria o do Rio Grande do Norte, de Rosalba Ciarlini.

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Direto ao Ponto

A miséria que Lula jura ter acabado invade o Planalto e cobra a promessa aos berros: ‘Todo mundo aqui pensa que pobre é burro’


Coluna do Augusto Nunes

O ex-presidente Lula aproveitou a entrevista ao jornal ABCD Maior, editado pelos metalúrgicos do rebanho, para fingir que acabou mesmo com a fome e a pobreza que, erradicadas no Brasil Maravilha do cartório, teimam em exibir-se o tempo todo em milhares de esquinas do país real. “Dilma vai lançar o programa de combate à miséria absoluta, onde fará um pente fino para descobrir quais são os pobres que ainda não foram atendidos”, gabou-se o recordista nacional de bazófia e bravata.

Tradução: são tão poucos os exemplares da espécie virtualmente extinta que só com a mobilização dos recenseadores do IBGE será possível localizá-los ─ e descobrir as misteriosas razões que os levam a recusar a carteirinha de sócio do Clube da Nova Classe Média. Lula deveria ter combinado com os fatos, soube-se nesta segunda-feira. Uma representante dos milhões de pobres que só tem têm três refeições por dia no país-do-faz-de-conta invadiu o Planalto para desmentir aos berros a fantasia do palanqueiro.

Depois de driblar a segurança do Palácio do Planalto, a brasileira Eliane dos Santos Silva só foi detida quando subia a rampa do segundo andar que dá acesso ao gabinete de Dilma Rousseff. Impedida de falar com a presidente, revelou aos gritos o motivo da viagem ao coração do poder: quer a casa própria que Lula e Dilma prometeram à população de baixa renda durante a campanha eleitoral.

“Todo mundo tem direito à habitação”, protestou Eliane, com uma criança no colo e chorando. “Eu sou mãe de três filhos. Direito para pobre, não tem. Para rico, sempre arranja uma brechinha. Todo mundo aqui pensa que pobre é burro”. Não pareceu mais otimista ao saber que um assessor anotaria a reivindicação. À saída, os jornalistas colheram outra informação interessante.

Enquanto espera a casa prometida, Eliane dos Santos Silva sobrevive em São Bernardo do Campo. A uma viagem de ônibus do apartamento do ex-presidente que, por 200 mil reais, topa contar em palestras de 50 minutos o milagre que hoje o impede de enxergar um único pobre em todo o Brasil.

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Plano B


Lula passou anos batendo de frente com o TCU quando o tema era fiscalização/paralisação de obras públicas. Em tempos de Copa-2014 em marcha lenta, o TCU tem tudo e mais um pouco para voltar aos jornais. Mas Dilma resolveu inovar e atrair o tribunal para uma conversa amistosa. O plano, agora, é chamá-lo para mais perto, negociando parcerias para que seus técnicos treinem funcionários que trabalham nas obras de expansão dos aeroportos. A mudança, radical, no discurso do governo perante o TCU é mais uma mostra de que Dilma, realmente, não é Lula.

O que se diz sobre inimigos

Apesar do tom sentimental que Lula usava contra o TCU, dizendo que este, com a paralisação de obras irregulares, atrasava o Brasil e dava mais prejuízo do que economia, o discurso presidencial tinha também outros objetivos. Afinal, notícias de irregularidades em obras do governo, principalmente do PAC, sempre ganhavam manchetes e perdiam na opinião pública e publicada. Com a mudança do tom, Dilma vai além. Se der certo, impedirá, ou pelo menos diminuirá a repercussão das tão infelizes notícias. Ela sabe o que Lula parece ter esquecido: manter os amigos próximos e os inimigos mais próximos ainda.

Longe do céu de brigadeiro

Mas o TCU não está assim tão animado com a mudança no discurso presidencial, que deixa de tratá-lo como o inimigo número um do desenvolvimento e da Copa. Cerca de metade do tribunal vê com ressalvas esta aproximação tão grande com o governo que tem que fiscalizar, já imaginando no futuro as dificuldades que novas punições encontrariam ("Folha de S.Paulo"). Mas, se o plano A não tem funcionado, pois o discurso de Lula tem, sim, seus adeptos, o plano B parece uma boa opção para evitar, com o mínimo de prejuízo, que passemos o vexame de perder, nos 45 min do segundo tempo, a Copa do Mundo.

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

MST encolheu, mas verbas aumentaram

Contas Abertas - Por Aline Sales

O MST perdeu seguidores. Das 124.600 famílias, que viviam em acampamentos sem-terra ou em propriedades invadidas, no inicio do governo Lula, apenas 14.509 continuam fazendo parte do Movimento dos Trabalhadores sem Terra, conforme relatório divulgado na semana passada pela Comissão Pastoral da Terra. Apesar do encolhimento as verbas públicas destinadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) às entidades privadas têm aumentado.

Entre 2003 e 2010, os repasses do MDA para as entidades privadas sem fins lucrativos, ligadas à reforma agrária aumentaram 285%, chegando a R$ 282,6 milhões no ano passado (veja a tabela). A justificativa para o gasto é o pagamento de cursos de aprimoramento agrícola e outros projetos que beneficiem pequenos agricultores incluídos no programa de reforma agrária.

Por outro lado, o valor repassado pelo governo federal para entidades privadas que têm ou já tiveram seus dirigentes ligados ao MST atingiu a R$ 177,9 milhões de 2003 a 2011 (até 18/04).

Por lei, é vedado o financiamento de movimentos sociais que invadem imóveis rurais ou bens públicos e, caso isso seja identificado, a transferência ou repasse dos recursos públicos deve ser interrompido. Em matéria publicada pelo Contas Abertas (CA) em março de 2009, um levantamento mostrou que existiam pelo menos 43 entidades, cujos responsáveis por assinar convênios com a União apareciam citados, inclusive em fontes oficiais, como membros, líderes, coordenadores ou dirigentes do MST nos últimos anos.

Em parte, o apequenamento do MST se deve aos seus assentados viverem em situação difícil, como mostrou pesquisa do Ibope de 2009: 37% sobrevivem com renda familiar de até um salário mínimo, outros 35% ganham, no máximo, dois salários por família. Apenas 1% tem acesso à rede de esgoto.

Com informações da REVISTA VEJA

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Fundador do partido, Walter Feldman também deixa PSDB

Redação Carta Capital

O secretário municipal de Esportes e Lazer de São Paulo, Walter Feldman anunciou, nesta segunda-feira 25, seu desligamento do PSDB, partido que ajudou a fundar e no qual estava desde 1988. O político atribuiu sua saída ao desgaste com a sucessão do diretório municipal.

A saída marca mais um capítulo do racha interno iniciado nas eleições de 2008 para a prefeitura da capital paulista, quando o grupo leal a José Serra apoiou a candidatura de Gilberto Kassab e não a de Geraldo Alckmin . Na última semana a disputa causou também a saída de seis vereadores do PSDB em São Paulo, que devem se filiar à sigla criada pelo atual prefeito, o PSD.

Leia mais aqui .

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Pronta, transposição do São Francisco em Alagoas não funciona

FOLHA ON LINE - SÍLVIA FREIRE
DE SÃO PAULO

Um canal com 45 km de extensão e capacidade para transportar água do rio São Francisco através da região mais seca do sertão de Alagoas está pronto desde o final de 2010.

A entrada em funcionamento, porém, depende da implantação de um sistema de irrigação que leva água aos lotes e da construção de uma subestação de energia.

A previsão é que a operação do Canal do Sertão, que já teve investimento de R$ 400 milhões, se inicie até o final deste ano.

Quando os primeiros 45 km do canal estiverem em funcionamento, irão beneficiar diretamente 470 pequenos produtores de cabras e ovelhas do sertão. A área irrigada será de 3.200 hectares.

Segundo o governo do Estado, que gerencia a execução da obra, a implantação do sistema de irrigação (cujo custo é de R$ 45 milhões) estava incluída em um segundo contrato que só começou a ser executado agora.

Governo de Alagoas/Divulgação
Canais da "minitransposição" em Alagoas; obras estão prontas, mas inauguração depende de novos projetos
Canais da "minitransposição" em Alagoas; obras estão prontas, mas inauguração depende de novos projetos.

O secretário da Infraestrutura, Marco Fireman, disse que dois problemas emperraram a execução do contrato: a falta de dinheiro do governo estadual para contrapartidas (em torno de 10% do investimento federal) e pendências no Tribunal de Contas da União, que segurou a liberação dos repasses por suspeita de sobrepreço.

"Não tinha sentido inaugurar 45 km de canal, botar água dentro e não dar finalidade a ela", disse Fireman.

O projeto prevê 250 km de canal, entre os municípios de Delmiro Gouvêia, no sertão, e Arapiraca, no agreste, com uma vazão máxima de 32 metros³/seg de água. A obra foi iniciada em 2002, mas ganhou impulso a partir de 2007, com a inclusão do canal no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Segundo o secretário, à medida que a obra do canal avança pelo sertão, ela deverá atrair agroindústrias de produção irrigada de frutas, como laranja.

Nesta primeira etapa, o foco será o pequeno produtor, além de fornecer água para consumo.

O governo do Estado disse que já cadastrou as 470 famílias que irão receber os lotes, com um contrato de concessão. Os 3.200 hectares irrigados pelo canal serão desapropriados pelo governo para assentar as famílias.

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domingo, 17 de abril de 2011

Classe média, povão e lorota

Com sua acurada visão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quis indicar um rumo aos correligionários, mas acabou produzindo um charabiá, ou seja, uma baita confusão na esfera política.


Por Gaudêncio Torquato

Em polêmico artigo para uma revista, propôs que as oposições invistam na nova classe média, arrematando com a tese de que, "se o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os movimentos sociais ou o povão, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos".
Nem bem teve tempo para detalhar o pensamento, o sociólogo passou a ser bombardeado.
Afinal de contas, que partido se pode dar ao luxo de desprezar "o povão"? A indagação resume o ponto de vista de parceiros como o senador Aécio Neves, que desponta como a maior liderança tucana, para quem o PSDB deve se aproximar de "várias camadas sociais".
Como sói ocorrer por estas bandas, a algaravia tomou corpo pelo costume de derrubar argumentos sem avaliar os escopos que traduzem. Ora, para julgar o dito do ilustrado tucano pelo menos dois conceitos precisariam ser postos à mesa de discussão: partido e classe média.
Partido é parcela, parte, pedaço. Sob esse significado, o ente partidário representa fatia da sociedade. É impraticável que seja escoadouro de demandas de todas as classes e grupamentos.
Quando, em seus programas, as siglas vocalizam um discurso em defesa da sociedade como um todo, estão apenas cumprindo o ritual de enaltecimento do ideário da liberdade, da igualdade e dos direitos dos cidadãos. São porta-vozes de preceitos e valores das Cartas Magnas das nações.
Já para efeito de conquista do poder, sua meta finalista, o partido deve selecionar focos entre classes sociais, grupamentos ou comunidades, para os quais e com os quais estabelece programas, projetos, ações e relações.
Se esse ordenamento não é seguido à risca, como se sabe, o motivo é a crise crônica que assola a democracia representativa em todo o planeta, cujos reflexos se projetam sobre a fragilidade partidária, a pasteurização das doutrinas, a desmotivação das bases e a descrença geral nos políticos.
A se considerar tal configuração, a tese de Fernando Henrique faz sentido.
A morfologia partidária clássica também reforça seu ponto de vista. Maurice Duverger, em 1951, formulou duas modalidades: partidos de quadros e partidos de massas. Os primeiros não visariam a agrupar contingentes numerosos, e, sim, grupos de notáveis, representantes das elites sociais. Os segundos teriam como foco as massas, o que demandaria mobilizações voltadas para um recrutamento maciço.
A classificação não resistiu às avalanches que se abatem sobre a política e, na corrente do desvanecimento ideológico, multiplicaram-se as organizações que tendem a substituir o prisma doutrinário pela estratégia de capturar diversos eleitorados a qualquer custo. Surgiram, então, os entes que o cientista social Otto Kirchheimer chamou de "catch-all parties" ("agarra tudo o que puderes").
Em termos de Brasil, não há dúvida que esse modelo parece o que melhor se ajusta à estrutura partidária. Apesar disso, o PSDB dos tucanos exibe certa semelhança com os partidos de quadros. Não por acaso, é conhecido como agremiação de "muito cacique e pouco índio".
Novamente ganha força a tese de Fernando Henrique, eis que é mais prático dialogar com determinado segmento do que motivar as massas assentadas na base da pirâmide social.
Ademais, é sabido que, nos últimos anos, a teia social - iniciada no ciclo FHC e intensamente reforçada no ciclo do lulopetismo pelos programas de distribuição de renda e acesso ao crédito e ao consumo - consolidou os vínculos entre "o povão" e o sistema governista e, consequentemente, com seus partidos aliados. Fortes barreiras afastam as oposições das margens carentes. E assim a abordagem do ex-presidente se vai firmando.
Neste ponto, convém levantar o véu da classe média. Depois da vitamina distributivista do governo Lula, cerca de 30 milhões de brasileiros ingressaram na classe C, reduto considerado como a nova classe média. Seria esta nova classe a biruta para indicar aos partidos o caminho do vento?
Analisemos a questão sob a planilha do professor Waldir Quadros, do Instituto de Economia da Unicamp, que estuda a dinâmica dos três degraus das classes médias. Ao transformarem a pirâmide social num losango, passaram a ser a maior classe social do País. O especialista aponta três conjuntos que a integram: a alta classe média (7,7% da população), a média (13,2%) e a baixa (38,8%). Além destas, temos na base a massa trabalhadora (30,7%) e os miseráveis (9,7%).
Nesse modelo de estratificação, o primeiro grupo corresponde à classe A de outras metodologias. Pois bem, só esse grupo teria pleno acesso a um padrão de vida considerado satisfatório. Os conjuntos médio e baixo das classes médias - somando 52% da população - defrontam-se com grandes carências nas áreas de saúde, educação, saneamento, habitação, transporte coletivo, segurança, etc.
Esses são os aglomerados que clamam pela atenção dos partidos. Aspiram a conquistar as boas coisas que o núcleo mais elevado da classe já possui: planos de saúde mais abrangentes, acesso à educação de qualidade, moradias satisfatórias, transporte particular, academias de ginástica, alimentação saudável, cursos de idiomas, viagens, cultura, lazer, etc.
Há, ainda, um fator que confere às classes médias - principalmente ao nível mais elevado - extraordinária significação: a capacidade de irradiar influência. Daí provém a imagem de pedra jogada no meio do lago. As marolas que produzem - demandas, clamor, expectativas, pressão - chegam até às margens.
Essa condição sui generis não pode passar ao largo do sentimento de partidos e políticos, e certamente nisso pensou o ex-presidente Fernando Henrique. Que não iria gastar seu sociologuês à toa. Assim, a intenção dos políticos de capturar o "povão" só tem uma explicação: demagogia. Ou mesmo lorota.

Gaudêncio Torquatojornalista, é professor titular da USP e consultor político e de comunicação. Escreve aos domingos em O Estado de S. Paulo. Twitter @gaudtorquato

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FHC e as Suas

Havia anos que Fernando Henrique não fazia tanto sucesso. Esta semana, nada teve tanto ibope quanto sua recomendação aos companheiros de PSDB: “parar a disputa pelo povão com o PT” e ir à procura das “novas classes médias”.


Por Marcos Coimbra

Analistas, comentaristas, colunistas e blogueiros passaram os últimos dias debruçados sobre ela. Não foi a mais polêmica das declarações do ex-presidente. Mas foi, sem dúvida, uma das mais surpreendentes.
Ele tem um histórico curioso nessa matéria. Enquanto esteve na academia e mesmo mais tarde, no início de sua vida como político profissional, Fernando Henrique era conhecido pela verve e a capacidade de verbalização. Suas palestras nas universidades e simpósios mundo afora encantavam. As platéias ficavam cativadas por suas elaborações originais e frases elegantes.
Quando começou a ganhar mais evidência na política, continuou no mesmo diapasão. No Congresso, cunhou frases famosas, algumas cruéis contra quem era seu inimigo na ocasião. Quem não se lembra do que dizia de Sarney, que a “crise viajava” quando ele deixava Brasília?
Até amigos eram, frequentemente, alvo de seu frasismo (caso não estivessem por perto). Com notável capacidade de síntese, com três palavras conseguia encontrar o lado pior de uma pessoa.
Da campanha presidencial de 1994 em diante, no entanto, as coisas mudaram. Ao invés de achar facilmente a boa frase, passou a se complicar com declarações desnecessárias e inconvenientes. Nelas, na maior parte das vezes, não se percebia nem espírito crítico, nem inteligência.
Em muitas, até inesperados preconceitos apareciam. Como aceitar a frase do “pé na cozinha”, vinda de quem havia escrito uma análise tão importante e progressista sobre a escravidão no Brasil? E, quando quis explicá-la falando do carinho pela “mãe preta”, só piorou o problema.
E o “esqueçam o que eu escrevi”? E os “aposentados vagabundos”? Por algumas, pagou um preço injusto, pois sequer é certo que as tivesse dito (pelo menos, com as palavras através das quais entraram para o imaginário popular).
Nos “vagabundos”, por exemplo, seu alvo não eram todos os aposentados, só os precoces. Apesar disso, como, àquela altura, já era tido e havido como político elitista, nunca mais se livrou da frase na sua pior versão. Tornou-se símbolo de seu desprezo pelas pessoas mais pobres.
E esta de agora, que já está entrando para nosso anedotário como o “esqueçam o povão”?
É certo que nenhuma, desde quando deixou o Planalto, provocou reações tão intensas. Quem acompanhou o noticiário político, em qualquer mídia, da terça feira em diante, viu mais FHC nestes dias que em quaisquer outros dos últimos anos.
Mas não deve ter sido por estar à procura de impactos que ele a formulou.
Um aspecto engraçado do episódio é a reação de seus correligionários. Era compreensível que os adversários a recebessem mal, mas não que fosse ignorada ou rejeitada por aqueles aos quais era destinada. O nome do artigo onde estava não era “O Papel da Oposição”? Seu objetivo não era afirmar posições e propor novos caminhos para ela?
Nas oposições, FHC é mais que um cientista social ilustre e um ex-presidente da República. Foi como “presidente de honra do PSDB” que assinou o artigo na (boa) revista Interesse Nacional. Pelo que parece, contudo, seus companheiros sequer sabiam que era isso que o presidente pensava.
Estranho modo de exercer um papel de liderança política e intelectual. Comunicar uma opinião (com a qual, aliás, ninguém concorda) através de uma revista talvez não seja a melhor maneira de consolidar o sentimento partidário e motivar os filiados.
Especialmente em um momento tão delicado, em que as feridas de 2010 continuam abertas e os maus resultados eleitorais ainda são recentes.
E a sociologia por trás da frase? Onde está o “príncipe da sociologia no Brasil”, como dizia Glauber Rocha do jovem Fernando Henrique da década de 1970?
Quem o conheceu tem motivos de sobra para decepcionar-se, tanto com o raciocínio, quanto com a parte empírica do artigo. A menos que já tenha se esquecido de tudo que ele escreveu.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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De FHC para Lula

Renata Lo Prete, Folha de S. Paulo

"Se Lula fosse um adversário leal, saberia reconhecer que não desprezo o "povão'", diz Fernando Henrique Cardoso em resposta às declarações de seu sucessor sobre artigo escrito pelo tucano. "Sou contra o que ele fez com o povo: cooptar movimentos sociais; enganar os mais carentes e menos informados trocando votos por benefícios de governo; transformar direitos do cidadão em moeda clientelista. Quero que o PSDB, sem esquecer nem excluir ninguém, se aproxime das pessoas que não caíram na rede do neoclientelismo petista. Desejo que Lula, que esqueceu as antiquadas posições contra as privatizações, continue usufruindo das oportunidades que as empresas multinacionais lhe oferecem, como agora em Londres."
"E desejo, principalmente, que Lula termine com a lenga-lenga contra ler muito e ter graus universitários, pois não precisa mais ter complexos. Virou 'doutor'".

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sábado, 16 de abril de 2011

Lula X FHC, a apocalíptica guerra do fim dos tempos

Do Blog do Josias de Souza

  Cândido Portinari/Retirantes

O fim da Guerra Fria privou o planeta de uma de suas especulações mais fascinantes.

Desapareceu a visão da batalha final entre Rússia e EUA.
Ruiu a pespectiva do grande confronto que decidiria quem dominaria o mundo, ou o que restaria dele depois do holocausto nuclear.
Desde então, tenta-se por de pé um conflito que restabeleça a bolsa de apostas: Israel contra o mundo árabe, EUA versus islã...
De uns tempos pra cá, como a hecatombe não viesse, passou-se a especular sobre guerras, digamos, mais convencionais.
Num instante em que muitos teorizavam sobre o potencial destrutivo de uma batalha entre o Bolsonaro e os gays, surge uma nova e alvissareira aposta.
Lula versus Fernando Henrique, eis a pugna que desponta no horizonte. Há muito que o noticiário estava impregnado de provocações de parte a parte.
Porém, um artigo de FHC acionou a faísca que transpôs a fronteira da mera escaramuça. De passagem por Londres, Lula provocou.
Disse que a nação já conhecia ex-presidente que preferia os cavalos ao povo. Porém...
...Porém, ex-mandadatário negligenciasse o “povão” é coisa nunca antes vista na história desse país.
A repórter Mônica Bergamo conta em sua coluna, na Folha, que FHC abespinhou-se.
Rodou a baiana numa entrevista que a Rádio Cultura FM levará ao ar nesta segunda-feira (18).
"Lá de Londres, refestelado em sua vocação nova [de palestrante]", Lula se "dá o direito de gozar", eriçou-se FHC.
Em seguida, detonou o repto: "Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo".
Soem as cornetas, rufem os tambores, escolham-se as armas. De todas as visões do Apocalipse nenhuma é tão encantadora quanto essa. Façam suas apostas.

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quinta-feira, 31 de março de 2011

Coluna de Cláudio Humberto


O presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), decidiu devolver à família do ex-presidente Juscelino Kubitschek o domínio www.JK.org.br, registrado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab quando ainda presidia o partido em São Paulo. No Registro.br, ele aparece como “responsável” pelo site, numa tentativa de se apossar da imagem positiva do falecido presidente da República.

Pá-de-cal

O senador Agripino Maia telefonou a familiares de JK colocando-se à disposição para acabar com a apropriação indevida.

Reação forte

Neta de JK, Ana Christina Kubitschek Pereira chegou a divulgar nota ameaçando levar Kassab à Justiça pelo uso indevido das iniciais JK.

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domingo, 27 de março de 2011

HISTÓRIA

Sarney diz que soube do fracasso do Cruzado ouvindo conversa num banheiro, revela biografia

O GLOBO - MARIA LIMA E DIANA FERNANDES

BRASÍLIA - Fortaleza que resiste nos centros de decisão do cenário político há 50 anos, como é apresentado na biografia autorizada lançada esta semana, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se revela um político e um ser humano atormentado pela depressão crônica, considera que foi um presidente da República fraco, que fez um governo marcado por erros e fracassos, e que, na maioria do tempo, não sabia o que estava se passando. A maior fonte de pesquisa da jornalista Regina Echeverria, autora de "Sarney, a biografia", é o diário em que ele faz suas catarses, com desabafos sobre seus medos, erros, fracassos e traições políticas.

Em depoimentos na primeira pessoa, ele relembra que entrou em pânico quando foi informado de que teria de assumir a Presidência no lugar de Tancredo Neves, em 1985. Sabia que não tinha legitimidade política e seria uma decepção para o povo que idolatrava o presidente de fato. Era, naquele momento, uma figura menor, que sequer tinha sido consultado sobre o Ministério que Tancredo anunciara na véspera de ser internado.

Nos anos que se seguiram, ainda permaneceu meio que alheio a muito do que se passava na cena política e econômica de Brasília. Cita erros e fracassos de seu governo, mas sempre culpa alguém ou diz que não sabia.

Conta que, pouco mais de três meses após o lançamento do Plano Cruzado - que o levou do céu ao inferno -, quando o governo enfrentava problemas de desabastecimento e greves, convocou reunião supersecreta da equipe econômica, comandada pelo ministro do Planejamento, João Sayad, na longínqua Carajás.

Queria, longe da imprensa, discutir saídas para o Cruzado. A reunião vazou, foi um desastre, e Sarney só ficou sabendo da gravidade da situação quando foi ao banheiro e ouviu uma conversa entre Sayad e o então presidente do IBGE, Edmar Bacha:

- O Plano foi para o espaço! - confessou Bacha.

Além do Plano Cruzado e do Cruzado I, Sarney lista vários "maiores erros" de seu governo: a escolha de Marco Maciel para chefiar a Casa Civil, o calote no pagamento da dívida junto ao FMI e até a briga pelo mandato de cinco anos.

Na revisão de sua história, reserva críticas aos presidentes que o sucederam e só alivia Itamar Franco. As maiores mágoas são de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Nunca perdoou o tucano pela operação da PF que descobriu uma dinheirama na empresa Lunus, enterrando a campanha da filha Roseana à Presidência, em 2002.

Pesou a pena nos escritos sobre Lula também. Diz que em 1989, quando os 21 candidatos se voltaram contra seu governo, votou em branco no segundo turno entre Collor e Lula. Collor, porque "era um capitalista de Arapiraca". Lula, porque era "a velharia ideológica, um marxista caribenho sem ideias próprias e sem base filosófica".

Sobre a crise vivida pelo Senado em 2009, logo após ele assumir mais uma vez o comando da Casa, Sarney apresenta sua versão dos fatos - ou "pseudofatos", como diz no livro. Quanto às centenas de atos secretos do Senado, muitos editados com nomeações de parentes do próprio Sarney, ele diz: "Realmente fui alvo de uma grande injustiça, quando a imprensa quis associar-me aos tais atos secretos. Primeiro, foi a Fundação Getulio Vargas quem os descobriu e foi contratada por mim. Anulei todos eles, e o percentual dos meus mandatos foi de 1,81%".

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POLÍTICA

Dirceu diz que fim da reeleição prejudica o PT
Para ex-ministro, medida da reforma política busca evitar permanência do partido no Planalto
Roldão Arruda,  O Estado de S.Paulo
Em seminário realizado pelo PT, em São Paulo, para discutir reforma política, o ex-ministro José Dirceu conclamou militantes e líderes do partido para barrarem a proposta que põe fim ao estatuto da reeleição. Na sua opinião, o principal alvo da mudança, já aprovada na Comissão de Reforma Política do Senado, é o PT.
"Eles querem acabar com a reeleição porque esse é o momento do nosso ciclo histórico", disse no encontro de ontem à tarde, em São Paulo. "Vamos deixar de ser ingênuos. Nós é que temos iniciativa, hegemonia, ofensiva para poder nos reeleger."
Segundo Dirceu, aplaudido três vezes durante sua intervenção no debate, o PT também deve se mobilizar contra qualquer iniciativa destinada a por fim ao voto obrigatório - uma vez que a medida prejudicaria sobretudo o eleitorado mais próximo do petismo.
Para ele, o fim da reeleição não reduzirá os problemas de corrupção e de uso da máquina política nas eleições. "Alguém acha, em sã consciência, que vai acabar o uso da máquina a favor deste ou daquele porque vai acabar a reeleição? Se o Serra for candidato em 2014 e não o Alckmin, não vai se usar a máquina? Não tem nada a ver."

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sábado, 26 de março de 2011

Fantasmas poderosos

Nenhum ‘ex’ dorme em paz depois de ter entrado em contato com os prazeres do poder

Estadão - Por Marco Aurélio Nogueira

Fantasmas e pesadelos costumam atormentar todos os que tiveram poder um dia. O universo dos "ex" é heterogêneo, mas nenhum deles dorme inteiramente em paz depois de ter entrado em contato com os prazeres que integram o cotidiano de um poderoso. Mesmo suas agruras e aborrecimentos são de um tipo especial. Viciam, causam dependência.

A maldição não perdoa ninguém, ainda que nem todos reajam do mesmo modo. Há os que sofrem em público e os que se recolhem, os discretos e os escandalosos, os que retomam a vida de antes e seguem em frente e os que não se conformam e não sabem o que fazer. Quanto mais alto o grau de poder, maior o problema. Quem já foi presidente da República tem mais dificuldade para assimilar a perda súbita ou anunciada de poder do que um chefe de seção desalojado do cargo.

O filósofo inglês Thomas Hobbes escreveu no século 17 que a tendência geral dos humanos era "um perpétuo e irrequieto desejo de poder, que cessa apenas com a morte". Segundo ele, isso acontecia não porque os homens buscassem um prazer sempre mais intenso, mas porque intuíam que a conservação e a ampliação constante do poder eram essenciais para que mantivessem o que possuíam. Maquiavel, na Itália, se inquietava diante da dificuldade para "determinar com clareza que espécie de homem é mais nociva numa república, a dos que desejam adquirir o que não possuem ou a dos que só querem conservar as vantagens já alcançadas". Não economizaria palavras: "A sede de poder é tão forte quanto a sede de vingança, se não for mais forte ainda". Idêntica preocupação teria Max Weber, que dizia que quem mexe com o poder faz um "pacto com potências diabólicas" e vai descobrindo que o bem e o certo nem sempre têm significado unívoco. O poder tem razões que a razão desconhece.

Alguém que deixa o poder defronta-se antes de tudo com o fantasma daquilo que perde: os rituais, a vida distinta, os mimos e mesuras dos subordinados, o conforto do palácio. Precisa se acostumar com os ruídos alheios e esquecer o som da própria voz. Há quem diga que sente certo alívio ao voltar ao anonimato e se libertar da agenda carregada, das liturgias cansativas, do excesso de exposição. Mas a ausência disso pode se assemelhar a uma crise de abstinência, que termina por levar o ex-poderoso à busca inglória de um lugar ao sol semelhante ao que desfrutava nos dias de fausto.

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Sanatório Geral



Tá feia a coisa

“Porque não houve votação, a votação foi só agora. Por que você não fez essa pegunta antes? Porque só pode fazer agora”.

Lula, ao lhe perguntarem por que o governo não ousou contrariar o Irã nos últimos oito anos, fingindo ter esquecido que o Itamaraty se absteve em todas as deliberações destinadas a conter os aiatolás atômicos e convencendo os médicos do Sanatório de que, por não conseguir desencarnar da Presidência, o paciente piorou espetacularmente.

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Itamar quer serviço do Senado fazendo política


Por Cláudio Humberto


O senador Itamar Franco (PPS-MG) apresentou projeto de resolução, no Senado, para “ampliar a competência do Serviço de Assistência Social do Senado”. Entre as mudanças propostas está o atendimento a pessoas “não servidoras da Casa”, mas somente quando encaminhadas, é claro, por gabinetes dos senadores ou outros órgãos da Casa. Ou seja, fazer política (ou politicagem) com recursos públicos.

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