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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Candidatura inelástica

Senador Arthur Virgílio analisa resultados da última pesquisa CNT/Sensus


Não vou discutir questões técnicas relacionadas com a última pesquisa eleitoral CNT/Sensus, cujos resultados desencadearam, nas hostes governistas, euforia certamente mais fingida — para forçar uma motivação — do que verdadeira, diante do que seria o desempenho da candidata palaciana. Não vou entrar no mérito da metodologia usada na pesquisa, universo selecionado, distribuição do eleitorado por regiões, faixas etárias ou de renda. Outras pesquisas estão sendo feitas e logo teremos mais elementos para análises e comparações.

Os resultados da pesquisa CNT/Sensus, de qualquer modo, não são de molde a suscitar a satisfação que o governo quer demonstrar para a opinião pública. Não há, nem de longe, o empate técnico que alguns, talvez querendo ser agradáveis ao poder, procuraram ver entre o governador paulista, José Serra, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A margem de erro de 3%, conforme a leitura que se faça, tanto pode favorecer um nome quanto outro. A vantagem de Serra sobre Dilma poderia chegar a 12 pontos, bastando entender que Serra poderia ter 3% a mais e Dilma 3% a menos.

Fiquemos, porém, nos índices divulgados, descartando a margem de erro. O eleitorado brasileiro, nas eleições de 2008, era, em números redondos, de 127.464.000. Dele devem ser excluídos os 10,5% de votos brancos ou nulos apurados na pesquisa. Então, ficam 114.080.000 de votos válidos. Como se distribuiriam? No primeiro cenário, com Ciro Gomes, Serra teria 33,2%, ou seja, 37.874.000 de votos; Dilma, com 27,8%, 31.714.000; Ciro, com 11,9%, 13.575.000; e Marina, com 6,8%, 7.757.000.

Mesmo nesse cenário, Serra ganharia de Dilma por uma diferença de 6 milhões de votos. A candidatura de Ciro Gomes, contudo, ainda está revestida de muita incerteza, por mais que ele insista em proclamar que será candidato. Até que ponto ele resistirá a um apelo do presidente Lula — que já o levou até a transferir seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo — que não faz segredo de querê-lo fora do páreo? Então, num segundo cenário, mais realista, sem Ciro, Serra iria para 40,7%, com 46.430.000 votos; Dilma para 28,5%, com 32.512.000; e Marina para 9,5%, com 10.837.000. Ou seja, Serra teria 8.556.000 votos a mais do que no primeiro cenário e Dilma apenas 798.000. O governador paulista venceria no primeiro turno. E se houvesse segundo turno, Serra teria 50.195.000 votos contra 42.323.000 de Dilma – uma folgada diferença de quase 8 milhões de votos!

Isso, sem falar que a pesquisa — volto a dizer, sem discutir sua metodologia — refletiria o quadro de hoje, em que somente a candidata palaciana está efetivamente em campanha, levada a tiracolo pelo presidente Lula a todo canto do país, a pretexto de "inaugurar" ou "lançar" obras do PAC, programa que, como se viu no último balanço, não vai muito bem das pernas. Quando a campanha começar mesmo, quando os candidatos estiverem em confronto direto, publicamente, em debates nos palanques e na televisão, a superioridade de Serra deverá tornar-se mais nítida e sua vantagem ampliar-se ainda mais. Ele tem longa e vitoriosa experiência política e administrativa e imensa folha de serviços prestados à nação, seja como ministro de Estado, seja como prefeito da maior capital brasileira, seja como governador do Estado de São Paulo.

Por maior aprovação que o presidente Lula tenha, ele não conseguirá transferi-la para a sua candidata além de certo limite. E este já teria sido alcançado, ao menos na avaliação de quem tem autoridade técnica para discorrer sobre pesquisas, que é Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope. Há dias, segundo o Blog de João Bosco Rabello, ele disse que "o eleitor sabe que Dilma é o PT no poder mais quatro anos, só que, dessa vez, sem Lula". "Não é a mesma coisa — acrescentou — e faz toda a diferença." Segundo seu raciocínio, o PT deixou o governo no mensalão e Lula deixou o PT antes disso. Montenegro considera que, mesmo no Nordeste — onde é mais forte o prestígio do presidente Lula —, o PT não terá tanta vantagem, a ponto de compensar a derrota no restante do país.

Portanto, segundo o presidente do Ibope, o Planalto já teria conseguido esticar ao máximo o potencial de votos transferíveis para a candidata. Esteja ele certo ou não em sua avaliação, o fato é que, quando a ministra Dilma deixar o cargo e sair às ruas, sozinha, como candidata, ela deverá encontrar muita dificuldade para ir muito além do ponto em que chegou. Será uma candidatura quase inelástica.

Arthur Virgílio é Senador da República pelo PSDB/AM

Fonte: Correio Braziliense

Um comentário:

  1. HOJE O PSDB ATACOU A DILMA, UM VERDADEIRO MASTIGAR. ESTE VAIS SER O TOM DA CAMPANHA.

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